
Olá. Apesar de ter existido a doença da vaca louca, esta é uma consequência unicamente química-biológica. Vocês, humanos, que são otários e ficam loucos por própria vontade das idéias. Com licença, agora eu vou comer meu matinho ali e dar pro meu boizão. Se forem me pegar pro abate, vão tomar no cu seus filhos das putas loucos fudidos!
O que eu penso sobre a loucura:
A loucura da mente é particular do ser humano. Às vezes, a loucura mental é fruto de um trauma. Após certo indivíduo sofrer acontecimentos que agridem drasticamente sua estabilidade psicológica, ele é obrigado a se adaptar a uma outra realidade mental que aponte para a sua sobrevivência.
Eu enxergo isso em quase tudo. Religiões, crenças, ideologias, costumes, subculturas, etc, são reflexos do mundo pessoal de um indivíduo, que apenas busca uma relativização mental particular como meio de alcançar sobrevivência e menos vinculação ao suicídio. Assim, estas pessoas se encontram com outros semelhantes e formam grupos, para causar a sensação visual de quantidade superior à qualidade.
Quando alguém expressa suas crenças e misticismos, eu penso que “foi apenas o modo como ela achou para sobreviver” – o que é inegável. Aquele doido que fala sozinho na rua é tão natural como quem ora por um deus.
A criação do crime vem como um modo de organizar a sociedade, pois a realidade praticada por certo indivíduo é considerada uma ameaça à estabilidade do cotidiano. Já ouvi muito das pessoas a expressão “desumano” como adjetivo para caracterizar alguém que comete um crime. Estas, provavelmente, sentem-se santas, em estado de plena lucidez – como se também não fizessem parte do grande aglomerado sócio cultural.
O cenário artístico é famoso por possuir pessoas “loucas”. Estas acabam buscando a quebra da comum, partindo para práticas que, fora do contexto artístico, seriam julgadas como uma ameaça real, como uma quebra da simetria diária exigida pelos padrões sociais. Do meu ponto de vista, a arte é surpreendemente um caminho da sanidade – podemos nos expressar, sermos nós mesmos, buscarmos respostas e sobrevivência, de forma institucionalmente aceitável, sem correr o risco de parar na cadeia (nem sempre) ou hospício.
O mundo como ele demonstra ser é duro de ser encarado. Nem todos suportam ser vítima de estupro ou tortura, testemunha de um homícidio, ou ter a simples idéia de que podem morrer.
Nascer é o início de um trauma e a busca por sobrevivência – ponto final.
Se eu sou apenas mais um louco que diz não temer o que enxerga, pois então que nos matemos todos com nossas loucuras, como tem sido a história da humanidade, e como parecerá ser para todo o sempre, já que as loucuras estão dispostas para o conflito e podem ser encontradas também em meras divergências de personalidades.
Ou então, de repente, que nos amemos todos com nossas loucuras… mas deixa isso para uma dimensão paralela utópica.
