Grandes marcos do princípio pelo meu gosto

22 06 2011

No meu aniversário de 6 anos, ou próximo, lá estava eu no quintal de casa com um binóculo pendurado no pescoço, todo feliz por que era meu aniversário (tenho um vídeo em DVD disso). O tema do aniversário era Terror. Minha mãe que escolheu isso e decorou tudo, com suco de sangue, doces eram cocô de morcego, e coisas assim. Ela não escolheu isso aleatoriamente, mas por que com essa idade eu já tinha esse gosto (quando ela era jovem tinha um gosto meio macabro também, talvez seja de sangue). Nessa festa de aniversário, tocava uma fita de punk no som – música escolhida por Tio Rique que estava lá. Este foi outro que me ajudou sutilmente na influência. Quando eu visitei o quarto dele em Miguel Calmon, havia várias imagens coladas pela parede, e uma delas me chamou bastante atenção: Eddie do Iron Maiden (fig. 1).

Fig. 1

A partir desta figura específica, eu fui atrás de mais imagens de Eddie. Até que um dia eu achei dois livros com imagens de Eddie numa banca de revistas em Serrinha. Com isso, como eu já era bem ligado ao desenho, dediquei-me a desenhar Eddie, minha nova paixão. Um dia, eu pintei com guache numa cartolina a imagem do The Number of the Beast (fig.2). Puts, eu viajava muito nesse mundo – as cidades obscuras, o terror do personagem, as situações, os significados e etc. Levei um tempo para conhecer a música do Iron Maiden, pois Eddie foi o que segurou minha sensibilidade primeiro. (antes disso, eu já desenhava coisas nessa linha também, só que menos e mais leves, como Scorpions do Mortal Kombat (este jogo foi um grande marco).

fig. 2

Pois então… a partir daí a putaria começou. Vieram mais e mais desenhos, quanto mais macabros, violentos e intrigantes, melhor. Eu adorava/adoro a transcendência subjetiva e metáfora do mundo que estas imagens me transmitiam/transmitem – ou coisas a mais que não estão no meu horizonte explicativo agora. Abaixo alguns desenhos que eu fazia quando tinha 12 a 14 anos:


Não lembro exatamente a idade, mas próximo aos 13 anos, em um cd de jogos demos, descobri um chamado DIABLO. (um dia, Gigito encontrou a versão inteira vendendo na banca de revista. Ele foi comprar e quase que perdeu a chance, por que outra pessoa quase compra antes – foi Deus ajudando meu destino em desenvolver minha sensibilidade blasfêmica).

Pois bem… Diablo. O jogo é sobre Deus ter abandonado o mundo (o que não é nenhuma novidade) e criaturas do caos terem vindo ao planeta. Coordenadas por Diablo, Senhor do Terror, invadiram a cidade de Tristam. Esta é bem simples, como uma vila. Entramos numa igreja dominada por servos de Diablo, criaturas estranhas e malditas. Eu, guri, jogando esse jogo, vendo uma igreja com luzes vermelhas saltando de suas janelas, entrar nela e ouvir uma música de fundo com corais em dissonância, encontrar criaturas estranhas e matá-las com espadas e machados, para mim era como se o meu espírito gozasse. Mas ainda antes de jogar, eu vi essa introdução do jogo, que é escandalosamente gozante para o meu espírito maldito:

DIABLO, EU TE AMO.

Até hoje eu digo que este mundo de Diablo precisa acontecer literalmente, de verdade (com eu sendo um dos sobreviventes, claro).

Então, junto a tudo isso, veio meu gosto musical sempre voltado mais para o rock, começando fã de Red Hot, depois para Korn, Marilyn Manson, aí Sepultura, Strapping Young Lad, Pantera, Testament, Rotting Christ  e etc. (não sei como não me vinculei mais para o black metal) Depois veio o gótico, industrial e etc (Sopor Aeternus, Das Ich, Hocico, etc). ok.

Isso tudo não se limita a uma propriedade estética apenas, mas a partir desta uma construção de conceitos durante o tempo.

Enfim. Toda esta linha pessoal a qual eu me dedico hoje, devo agradecer principalmente aos meus pais, que nunca me reprimiram por isso e me deixaram ser feliz de tal modo. Paradoxalmente, agradeço também à sociedade (com forças morais religiosas/cristãs bastante intensas) que não lida bem com estas coisas, alimentando minha oposição e fazendo eu me sentir cada vez mais eu e mais verdadeiro comigo e com o mundo.





Amor e religião

9 06 2011

Jesus diz: é o seguinte, galera... se vocês estão carentes, procurem ser pessoas melhores na vida, pois assim encontrarão alguém que realmente te valorize e possa te oferecer um abraço verdadeiro. Ainda bem que já morri, pois se cada um que me ama me abraçasse, eu já teria pegado uma gonorréia. Agora dá licença, que eu vou brincar aqui com meus amiguinhos. Tchau!

Lembro de um dia que um grande amigo meu me chamou para ir numa missa da igreja católica em Coité. Fui com meu irmão naquela missa de domingo. Ao entrar, senti-me obrigado a fazer o que os outros faziam: rezar ajoelhado ao pé do crucifixo. Após isso, o padre começou a falar várias coisas que se fala em missas. O momento que realmente lembro, foi uma hora em que tínhamos que abraçar cada pessoa ao redor. Eu abraçava com um sorriso falso e a uma certa distância do indivíduo – afinal, eram desconhecidos e a situação era naturalmente próxima a de uma zebra achar que o leão só quer brincar de pega-pega.

Em 2008, quando eu tinha 18 anos, eu comecei a cursar Brahma Kumaris, uma religião da Índia que eu pude absorver muitas coisas boas, mas acabando por eliminar outras. Uma das coisas que fui estimulado lá foi a amar ao próximo. Nesta época, senti-me muito sensível, realmente meu coração estava em exercício de amabilidade. Certo dia, eu estava na faculdade e decidi conversar com meu professor para tirar uma dúvida. Do jeito que meu coração estava aberto e sensível para coisas boas (óóó que lindo…), fui falar com ele de forma delicada. Porém, fui recebido de forma desprezível e inadequada, ao lado de seus amigos. Ao chegar em casa, chorei como um bebê por ter sentido aquilo num momento em que eu estava descobrindo a moleza cardíaca.

Realmente devo agradecer ao Brahma Kumaris por ter me ensinado, sem querer, a confirmar o que eu já tinha em mente: apenas abrir meu coração só para quem eu julgar que mereça e não vulgarizar o significado de amar. Esta é a forma que encontrei de auto-respeito. Aos outros que não me interessam, terão, se possível, nada a mais que o meu simples respeito. Uma condição ética.

Nada melhor do que eu ter aprendido com o que experimentei na pele, e não com o que a reverência/masturbação utópica e religiosa me inadequou.

(assistam ao filme Entre o Bem e o Mal)

obs: o exemplo do Brahma Kumaris foi apenas uma espécie de estopim.

quanto à igreja católica lá, a sua decoração era bonita.

deixo claro que, apesar de semelhanças, não me classifico satanista ou defensor rígido de algum estilo de vida ou sei la oq. Sou apenas um apreciador da Assimetria – a vida é diferente para cada um.

Boa noite, fiquem com Satan.








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