Melancolia / Melancholia
8 08 2011Para compreender a minha reflexão sobre o filme, é preciso que tenha assistido ao filme… ou não, se quiser arriscar.
A foto acima mostra a personagem principal do filme, Justine. Inclusive, esta foto está semelhante a uma cena de Anticristo (foto abaixo), mostrando já uma relação dos dois filmes – a sintonia entre mulher e natureza, o feminino e o universo.
O filme é resumidamente sobre o planeta Melancolia se aproximando para colisão à Terra, durante o casamento de Justine.
Para quem assistiu ao filme, notou claramente a confusão sentida por Justine durante a comemoração de seu casamento, até mesmo por influência da mãe que se encontrava no momento de comemoração. No início, ela já vinha sentindo tal sentimento ao começar a festa, mas de forma amenizada, associando-se ao distanciamento do planeta Melancolia que, ao se aproximar cada vez mais, sua confusão aumentava. Dois pontos são fortes para o que refleti:
ponto 1- desencadeamento da melancolia explosiva de Justine: uma cena importante em que ela se encontrava ainda com o vestido de noiva, foi quando Claire, sua irmã, ao notar sua estranheza, foi sincera com ela, dizendo-lhe que estava mentindo sobre sua satisfação com o casamento, provavelmente por influência das pessoas ali, pela condição de fazer valer os custos do casamento, e de seu status social ou pessoal. Esse momento é chave para que ela se revele, e aja de forma mais drástica. A partir daí, ela realmente começa a revelar sua insatisfação. Tal insatisfação é revelada até mesmo para o seu chefe do seu emprego de publicidade que estava na festa, que sempre tocava no assunto do slogan que ainda não tinha sido feito. Chegou um momento em que ela deixou claro que ele não merecia um slogan, pois para representá-lo, nem o nada seria suficiente. Essa idéia do marketing e publicidade, do parecer, da propaganda, serviu de analogia ao casamento e ao seu status de casada.
ponto 2- o simbolismo do casamento: Quando a mãe de Justine, durante tal comemoração, trancada no banheiro, fala para John, o cunhado de Justine e quem lidou com as despesas da festa, algo tipo “Não comemorei o primeiro cocô dela no pinico, nem a primeira “blablabla”, não é esse ritual besta que vai me convencer” (não lembro exatamente cada palavra). Basicamente, ela usou essa palavra chave “ritual” para tentar invalidar a idealização do casamento, pois, como ela deixou claro antes num discurso feito entre todos da festa, ela diz que não acredita em casamentos.
Após o fim da festa, quando todos foram embora, e apenas ficaram Justine, Claire, John e seu filho Tim, o filme começou a se concentrar mais na idéia do planeta Melancolia que estava se aproximando. As influências do planeta atingiram de forma clara os cavalos (e insetos também), mostrando suas agonias e posturas incomuns , e que, diga-se de passagem, é algo realístico, não mera ficção do filme. Justine é a representação humana dessa sensibilidade que os animais possuem. Ela possuia grande afeto com um dos cavalos, e essa reciprocidade é demonstrada também com a dificuldade de andar em que os dois começam a sentir em certos momentos.
Enfim. Quando todos eles entram na consciência de que o planeta realmente irá atingir a Terra, Justine é sincera e crua com Claire em seu momento de fragilidade: Justine está dando a verdade a Claire como retribuição do que ela retirou de seu casamento : a mentira de que está tudo bem. Justine marca uma cena falando de forma convicta frases importantes como “Eu apenas sinto”, “A vida é má” e “Estamos sós no universo”. Ela, como símbolo da natureza, do cosmos, do sensível, assim como os animais, revela tais frases.
Após a conversa drástica com Claire, Justine se dirige a Tim e é bem delicada com ele. Ela diz que para se salvarem, precisam estar na caverna mágica. Assim, constroem uma espécie de oca com galhos, remetendo a tribos primitivas e seus rituais. Assim acaba o filme: os 3 dentro de uma chamada “caverna mágica” são engolidos pela planeta Melancolia.
A “caverna mágica” é a mentira para que “sobrevivam”, o planeta é a revelação irrefutável: por mais que busquemos nossas proteções subjetivas, o universo é totalmente indiferente a isso.
Admirei o filme de acordo com minha interpretação, supondo tal absurdo com uma ficção, para a compreensão de nossa realidade. Esta é uma visão um pouco pessimista, mas inegável. Afinal, otimismos imateriais poderão ser nossas mentiras de proteção, nosso slogan, nosso falso casamento, nossa caverna mágica, não ? Sugiro a leitura do meu post abaixo que fala sobre a loucura. Queria deixar claro também que o filme não me passou uma visão genérica sobre casamento, mas sobre o risco intrínseco de tal ritual.
………………………….
Após o filme no cinema, eu, Gigito e Ramon estávamos no ponto de ônibus, e um rapaz que estava também assistindo ao filme apareceu de carro e perguntou se queríamos carona… mas não fomos, pois nosso rumo não era caminho em comum. Apesar de eu ter saído do cinema um tanto melancólico, além do que era um dia de domingo depressivo, pessoas legais às vezes parecem nos fazer esquecer de planetas gigantes que estão se aproximando… mas só quando são verdadeiramente legais, sem mentiras…
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A loucura
19 07 2011
Olá. Apesar de ter existido a doença da vaca louca, esta é uma consequência unicamente química-biológica. Vocês, humanos, que são otários e ficam loucos por própria vontade das idéias. Com licença, agora eu vou comer meu matinho ali e dar pro meu boizão. Se forem me pegar pro abate, vão tomar no cu seus filhos das putas loucos fudidos!
O que eu penso sobre a loucura:
A loucura da mente é particular do ser humano. Às vezes, a loucura mental é fruto de um trauma. Após certo indivíduo sofrer acontecimentos que agridem drasticamente sua estabilidade psicológica, ele é obrigado a se adaptar a uma outra realidade mental que aponte para a sua sobrevivência.
Eu enxergo isso em quase tudo. Religiões, crenças, ideologias, costumes, subculturas, etc, são reflexos do mundo pessoal de um indivíduo, que apenas busca uma relativização mental particular como meio de alcançar sobrevivência e menos vinculação ao suicídio. Assim, estas pessoas se encontram com outros semelhantes e formam grupos, para causar a sensação visual de quantidade superior à qualidade.
Quando alguém expressa suas crenças e misticismos, eu penso que “foi apenas o modo como ela achou para sobreviver” – o que é inegável. Aquele doido que fala sozinho na rua é tão natural como quem ora por um deus.
A criação do crime vem como um modo de organizar a sociedade, pois a realidade praticada por certo indivíduo é considerada uma ameaça à estabilidade do cotidiano. Já ouvi muito das pessoas a expressão “desumano” como adjetivo para caracterizar alguém que comete um crime. Estas, provavelmente, sentem-se santas, em estado de plena lucidez – como se também não fizessem parte do grande aglomerado sócio cultural.
O cenário artístico é famoso por possuir pessoas “loucas”. Estas acabam buscando a quebra da comum, partindo para práticas que, fora do contexto artístico, seriam julgadas como uma ameaça real, como uma quebra da simetria diária exigida pelos padrões sociais. Do meu ponto de vista, a arte é surpreendemente um caminho da sanidade – podemos nos expressar, sermos nós mesmos, buscarmos respostas e sobrevivência, de forma institucionalmente aceitável, sem correr o risco de parar na cadeia (nem sempre) ou hospício.
O mundo como ele demonstra ser é duro de ser encarado. Nem todos suportam ser vítima de estupro ou tortura, testemunha de um homícidio, ou ter a simples idéia de que podem morrer.
Nascer é o início de um trauma e a busca por sobrevivência – ponto final.
Se eu sou apenas mais um louco que diz não temer o que enxerga, pois então que nos matemos todos com nossas loucuras, como tem sido a história da humanidade, e como parecerá ser para todo o sempre, já que as loucuras estão dispostas para o conflito e podem ser encontradas também em meras divergências de personalidades.
Ou então, de repente, que nos amemos todos com nossas loucuras… mas deixa isso para uma dimensão paralela utópica.
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Assimetria – mãe da inquisição
18 07 2011A voz no início é de Charles Manson afirmando que não matou ninguém.
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Série Ossos
3 07 2011causando uma sensação de derretido, orgânico e efêmero, sem perder a ideia de resistente e durável
ímpeto artístico
encontrei restos de um cachorro – ossos e couro
comecei minha coleção de ossos encontrados pelo acaso
a intuição tida por um raciocínio lógico e sensível do que a morte viria a ser, traz esse ideal de equilíbrio e paz plena
Goya, em sua última fase de pinturas, é uma influência forte que tenho para a produção de pinturas
Os crânios, por exemplo, já trazem as características espaciais da forma da cabeça do ser vivo
trouxe uma expressão mais obscura, e um significado mais hermético
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Grandes marcos do princípio pelo meu gosto
22 06 2011No meu aniversário de 6 anos, ou próximo, lá estava eu no quintal de casa com um binóculo pendurado no pescoço, todo feliz por que era meu aniversário (tenho um vídeo em DVD disso). O tema do aniversário era Terror. Minha mãe que escolheu isso e decorou tudo, com suco de sangue, doces eram cocô de morcego, e coisas assim. Ela não escolheu isso aleatoriamente, mas por que com essa idade eu já tinha esse gosto (quando ela era jovem tinha um gosto meio macabro também, talvez seja de sangue). Nessa festa de aniversário, tocava uma fita de punk no som – música escolhida por Tio Rique que estava lá. Este foi outro que me ajudou sutilmente na influência. Quando eu visitei o quarto dele em Miguel Calmon, havia várias imagens coladas pela parede, e uma delas me chamou bastante atenção: Eddie do Iron Maiden (fig. 1).

Fig. 1
A partir desta figura específica, eu fui atrás de mais imagens de Eddie. Até que um dia eu achei dois livros com imagens de Eddie numa banca de revistas em Serrinha. Com isso, como eu já era bem ligado ao desenho, dediquei-me a desenhar Eddie, minha nova paixão. Um dia, eu pintei com guache numa cartolina a imagem do The Number of the Beast (fig.2). Puts, eu viajava muito nesse mundo – as cidades obscuras, o terror do personagem, as situações, os significados e etc. Levei um tempo para conhecer a música do Iron Maiden, pois Eddie foi o que segurou minha sensibilidade primeiro. (antes disso, eu já desenhava coisas nessa linha também, só que menos e mais leves, como Scorpions do Mortal Kombat (este jogo foi um grande marco).

fig. 2
Pois então… a partir daí a putaria começou. Vieram mais e mais desenhos, quanto mais macabros, violentos e intrigantes, melhor. Eu adorava/adoro a transcendência subjetiva e metáfora do mundo que estas imagens me transmitiam/transmitem – ou coisas a mais que não estão no meu horizonte explicativo agora. Abaixo alguns desenhos que eu fazia quando tinha 12 a 14 anos:



Não lembro exatamente a idade, mas próximo aos 13 anos, em um cd de jogos demos, descobri um chamado DIABLO. (um dia, Gigito encontrou a versão inteira vendendo na banca de revista. Ele foi comprar e quase que perdeu a chance, por que outra pessoa quase compra antes – foi Deus ajudando meu destino em desenvolver minha sensibilidade blasfêmica).
Pois bem… Diablo. O jogo é sobre Deus ter abandonado o mundo (o que não é nenhuma novidade) e criaturas do caos terem vindo ao planeta. Coordenadas por Diablo, Senhor do Terror, invadiram a cidade de Tristam. Esta é bem simples, como uma vila. Entramos numa igreja dominada por servos de Diablo, criaturas estranhas e malditas. Eu, guri, jogando esse jogo, vendo uma igreja com luzes vermelhas saltando de suas janelas, entrar nela e ouvir uma música de fundo com corais em dissonância, encontrar criaturas estranhas e matá-las com espadas e machados, para mim era como se o meu espírito gozasse. Mas ainda antes de jogar, eu vi essa introdução do jogo, que é escandalosamente gozante para o meu espírito maldito:
DIABLO, EU TE AMO.
Até hoje eu digo que este mundo de Diablo precisa acontecer literalmente, de verdade (com eu sendo um dos sobreviventes, claro).
Então, junto a tudo isso, veio meu gosto musical sempre voltado mais para o rock, começando fã de Red Hot, depois para Korn, Marilyn Manson, aí Sepultura, Strapping Young Lad, Pantera, Testament, Rotting Christ e etc. (não sei como não me vinculei mais para o black metal) Depois veio o gótico, industrial e etc (Sopor Aeternus, Das Ich, Hocico, etc). ok.
Isso tudo não se limita a uma propriedade estética apenas, mas a partir desta uma construção de conceitos durante o tempo.
Enfim. Toda esta linha pessoal a qual eu me dedico hoje, devo agradecer principalmente aos meus pais, que nunca me reprimiram por isso e me deixaram ser feliz de tal modo. Paradoxalmente, agradeço também à sociedade (com forças morais religiosas/cristãs bastante intensas) que não lida bem com estas coisas, alimentando minha oposição e fazendo eu me sentir cada vez mais eu e mais verdadeiro comigo e com o mundo.
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Amor e religião
9 06 2011
Jesus diz: é o seguinte, galera... se vocês estão carentes, procurem ser pessoas melhores na vida, pois assim encontrarão alguém que realmente te valorize e possa te oferecer um abraço verdadeiro. Ainda bem que já morri, pois se cada um que me ama me abraçasse, eu já teria pegado uma gonorréia. Agora dá licença, que eu vou brincar aqui com meus amiguinhos. Tchau!
Lembro de um dia que um grande amigo meu me chamou para ir numa missa da igreja católica em Coité. Fui com meu irmão naquela missa de domingo. Ao entrar, senti-me obrigado a fazer o que os outros faziam: rezar ajoelhado ao pé do crucifixo. Após isso, o padre começou a falar várias coisas que se fala em missas. O momento que realmente lembro, foi uma hora em que tínhamos que abraçar cada pessoa ao redor. Eu abraçava com um sorriso falso e a uma certa distância do indivíduo – afinal, eram desconhecidos e a situação era naturalmente próxima a de uma zebra achar que o leão só quer brincar de pega-pega.
Em 2008, quando eu tinha 18 anos, eu comecei a cursar Brahma Kumaris, uma religião da Índia que eu pude absorver muitas coisas boas, mas acabando por eliminar outras. Uma das coisas que fui estimulado lá foi a amar ao próximo. Nesta época, senti-me muito sensível, realmente meu coração estava em exercício de amabilidade. Certo dia, eu estava na faculdade e decidi conversar com meu professor para tirar uma dúvida. Do jeito que meu coração estava aberto e sensível para coisas boas (óóó que lindo…), fui falar com ele de forma delicada. Porém, fui recebido de forma desprezível e inadequada, ao lado de seus amigos. Ao chegar em casa, chorei como um bebê por ter sentido aquilo num momento em que eu estava descobrindo a moleza cardíaca.
Realmente devo agradecer ao Brahma Kumaris por ter me ensinado, sem querer, a confirmar o que eu já tinha em mente: apenas abrir meu coração só para quem eu julgar que mereça e não vulgarizar o significado de amar. Esta é a forma que encontrei de auto-respeito. Aos outros que não me interessam, terão, se possível, nada a mais que o meu simples respeito. Uma condição ética.
Nada melhor do que eu ter aprendido com o que experimentei na pele, e não com o que a reverência/masturbação utópica e religiosa me inadequou.
(assistam ao filme Entre o Bem e o Mal)
obs: o exemplo do Brahma Kumaris foi apenas uma espécie de estopim.
quanto à igreja católica lá, a sua decoração era bonita.
deixo claro que, apesar de semelhanças, não me classifico satanista ou defensor rígido de algum estilo de vida ou sei la oq. Sou apenas um apreciador da Assimetria – a vida é diferente para cada um.
Boa noite, fiquem com Satan.
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Caos, o nosso adorável inimigo
22 05 2011
posição única para encaixe instantâneo - probabilidade de 4 (no caso de um quadrado) para "infinito"

Dentre as diversas formações de espécies de vida, uma dessas - a mão do humano - se destaca como ideal para utilizar instrumentos necessários para uma melhor sobrevivência
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Quartodiempregateliê
2 05 2011Abaixo mostro fotos do meu ateliê adaptado num “quarto de empregada” de apartamento.
É o local onde relaxo certas emoções – como um domador de leões satisfeito com o trabalho, ou como o prazer do leão de comer a zebra após enfrentar o perigo de atacá-la, ou como a zebra feliz em ter ultrapassado o rio após dar um coice no crocodilo… ou como a libélula, vulgo lava-cu, descobrir que todo o tempo havia um vidro em sua frente, por isso não conseguia se locomover ao bater as asas. (as metáforas são inúmeras)
O problema só é o calor.
Este espaço acaba sendo, sem querer querendo, uma arte também.
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assimetria – alien
24 04 2011
Meu próprio exílio cheio de carne
não um espírito, nem um crente
há muito poder para conseguir
longe através do universo
para te controlar
para destruí-los
Eu tenho todo o poder para odiar
a espécie que eu sou
como todos os humanos ao redor
Por isso que eu odeio isso
Por isso que eu os odeio
Eu me sinto um alien
contra o mundo
para crescer meu interior
por alguma maneira que você nunca sentirá
através dessa linha de ilusão
e mega suicídio
eu o vejo morto
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assimetria – ilusões e vampiros
14 04 2011sobre criaturas que sugam nosso sangue
e sobre ilusões mecânicas do Eu
criaturas que atacam o Eu
destroem nossa lucidez
quem sabe não somos nossa própria criatura
Falar de ilusão é algo complicado – não sabemos até que ponto podemos julgar algo ilusão e termos convicção da veracidade do nosso estado encontrado. Muitas vezes, temos nosso sangue – símbolo da vitalidade – sugado por vampiros – com forte passividade. Por outro lado, vampiros não possuem reflexo no espelho porque eles não existem, são ilusões (ou não), e a única coisa a refletir ali somos nós mesmos.
Talvez o estado real das coisas esteja no pré e pós vida. Cheguei a uma conclusão: lembramos sim do que havia no pré vida. Normalmente respondemos “Não lembro de nada” – aí que está. Era o mais pacífico, equilibrado, e absoluto nada. Lembramos sim. Saia de sua rotina terráquea e compreenderá sua condição mecânica.
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escultura de 2009 + eu no piano maldito
20 03 2011matt uelmen – diablo, tristam
hypocrisy – slipping away
marilyn manson – the speed of pain
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Auto retrato morto
19 03 2011Antes de cometer esta pintura, eu já imaginava 1- como seria a minha imagem morto, ou 2- como seria ver alguém íntimo meu morto. Esta segunda, seria uma sensação ruim, dolorosa e atormentadora – agride a minha auto suficiência e o tempo de simbiose que dediquei a esse alguém. A primeira me causa apenas estranheza, e às vezes resquícios de lamentações – pensamentos como “eu poderia ter feito tal coisa antes de morrer” incomodam, mas são frutos da mera ansiedade humana, pondo o futuro no lugar do presente.
Pois então, pus-me ao desafio de me ver morto, e melhor, arrodeado de uma das cores mais belas da natureza - o vermelho do sangue. Comecei me pintando de forma normal, sem traços de feridas ou vestígios que remetam à morte. Ao me ver limpo, nesta posição da pintura, sem distorções viscerais, senti que eu estava numa postura e feição expressando muita tranquilidade – como se dormisse tranquilamente, no mais perfeito estado de descanso do corpo. Pensei em deixar de tal modo, mas decidi continuar com o desafio de me matar. Eu estava com medo de estragar aquela expressão de tranquilidade que a pintura continha, pondo feridas e manchas escuras como sinais corpóreos da morte… era como se eu estivesse desafiando o suicídio. Porque eu deveria me agradar apenas com a paz efêmera de um corpo saudável, e não com a paz eterna da morte? Ah, se há algo que desprezo é incriminarem e tornarem pecador o ato suicida. Como podem ver um ser numa situação caótica, irreversível, em seu mundo doente, preso em exílio carnal, vencer corajosamente a barreira da sobrevivência e tirar a própria vida, e ainda assim crucificá-lo e falar sobre piedade divina? Ao finalizar o quadro, pensei melhor que foi mais um ato homicida do que suicida. Pois se eu me pintei suicidado, ali não era eu – pois ainda quero me manter vivo.
PRENDAM ARTUR RIOS
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Eu e Pabinho – e mais um pouco
12 02 2011Nessa época eu deveria ter 11 anos. A criança menor, Pabinho (Pablo), com um pequeno chapéu/gorro/seiláqueporra de regueiro era filho de Didi (Simone), a menina que morava conosco e trabalhava lá na casa. Eu tinha/tenho muito afeto com ambos, pois Didi era metade irmã, metade Mãe, logo Pabinho era metade sobrinho metade irmão. Às vezes eu também me sentia pai dele, como na hora de dar banho. Eu gostava muito de uma sunga/cueca (estou fixado em /) vermelha que ele usava. Lembro de uma vez que botei ele na garupa da bicicleta para irmos num mercadinho comprar alguma coisa. Não sei como Didi deixou. Na hora de chegar em casa, como a bike era grande demais pra mim, eu tinha que me inclinar muito para descer dela, e fazer Pabinho descer ao mesmo tempo ficou complicado, aí fomos caindo devagar bem em cima das plantas de minha mãe lá no jardim. Depois de um tempo, Didi foi morar fora, no povoado de Ipoeirinha, perto de Coité… isso foi quando Pabinho deveria ter completado 3 anos de idade, eu acho. Então levamos eles de carro até lá, o que foi bem triste para mim.
Essa pureza que eu sentia acaba sendo desafiada durante a vida. Pureza não no sentido de agir apenas amorosamente, mas de agir sem a consciência do mal. Eu tinha um estilingue e vivia caçando calango para matar, e lembro até hoje de quando um homem desconhecido me deu um aviso moral de que era errado eu matar aquelas vidas ali. Eu parei na hora. A pureza é desafiada com moralidades impostas em nós, o que é inevitável, e então vamos nos moldando e tentando vencer o mundo respeitando esses encaixes.
Lembrei também de um desenho que eu fiz, que está na seção de desenhos, que expressa a idéia:
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ET apocalíptico
22 12 2010
gravura feita com placa de cobre que eu esqueci qual o nome da técnica e estou com preguiça de buscar no google
[Dê o play para escutar (sugestão para burros)]
Nas minhas imaginações, tive um sonho de uma macumbeira que falou para mim “mata todo mundo”. Considerei estas feias palavras belas, pois de alguma forma atingiu meu sensível e intelecto, quem sabe também a minha testosterona… ou quem sabe, só o meu desejo de aparecer.
Após um tempo, descobri o porquê de eu ter tido tal sonho com essa frase. Na aula de gravura na Escola de Feias Artes da UFBA, intuitivamente eu fiz sem pensar esta gravura logo acima que se encontra já impressa. Este é um ET bastante orgânico e matador. Após um tempo, tive a idéia de criar uma música para esta gravura, e na música botei a frase “mata todo mundo porra”, falada pelo ET. Dois questionamentos são gerados:
1 – Fui abduzido e ETs implantaram no meu cérebro esta mensagem para ser dada a nós meros terráqueos, e eu os associo erroneamente a uma macumbeira por distorções da consciência?
2 – Teria vindo tudo isso da minha aleatória criatividade, como um fogo que nasce do vácuo?
Talvez nunca encontraremos respostas para estas duas perguntas, por isso que tenho o prazer de apreciar o meu próprio mistério criativo.
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Léo fudido
21 10 2010Andando pelo passeio, veio um pastor alemão em sua direção que confundiu sua mente ao atravessar a rua, apesar de ter olhado para os lados, e PA ! em 3 segundos, Léo estava jogado na pista todo desmanchado, mas como é um cara esperto das artes marciais, protegeu as pernas na batida… entretanto, sobrou pra cara.
Ele me avisou pela internet sobre o acidente, com um autêntico humor. No início fiquei meio assustado com a notícia, mas como ele ainda parecia estar funcionando direito, veio-me logo a curiosidade de ver o estrago corporal resultante do acidente.
Cicatrizes, feridas, hematomas, mas principalmente cicatrizes, sempre me atraíram. Não sei o porquê, nem necessito saber. Talvez ali seja uma marca que evidencie a sobrevivência da pessoa a uma circunstância desafiadora. Cria um aspecto de guerreiro… e, claro, é emocionante ver um corpo chamado vida com sinais de sua fragilidade ou falsa invencibilidade.
Quando eu era criança, na escola eu costumava pegar o estilete e cortar meu antebraço, e ter o prazer de ver as listras de sangue e as caras das pessoas assustadas. Ao ver o povo fazer cara feia e falar algo como “você é doido éé menino?”, eu tinha uma espécie de prazer exótico… é como se eu pensasse “mas é besta, não sabe que ela mesma também é feita de sangue por dentro” ou então “como é engraçado o medo da morte”.
Devo confessar que ainda hoje acho atrativo esse masoquismo. Há quem filosofe também que dor e prazer são semelhantes. Às vezes também penso que o prazer vem da dor, como um alívio da necessidade, ou seja, a dor é primária e o prazer secundário.
Enfim, sei que tenho muito o que aprender com Léo.
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MisEntropia
30 08 2010Dentro da forma circular, existe um símbolo que indica a cabeça humana, mas de forma invertida, como uma negação à humanidade. Os dois triângulos em posições opostas tem seus significados: o que aponta para baixo tem o significado de destruição, no mesmo sentido em que se encontra a cabeça do humano; o que aponta para cima está em sentido oposto à cabeça humana, e tem o significado de construção. No lado em que se aponta a construção, há três olhos que sugerem a idéia de uma nova visão.
Há muitas pessoas no mundo, cada qual anda em uma diferente direção. Opiniões, ideologias e práticas distorcidas, em constantes interferências e caos. Um resultado coerente ao sistema entrópico em que vivem, por isso o símbolo chama-se MisEntropia, ou seja, Misantropia + entropia.
Este símbolo é uma lembrança de que também sou uma dessas pessoas. Este é um símbolo sincero e que causa dor pelo fato de eu ser o alvo da minha própria negação. Nego esta capacidade humana de agonizar teorias e consolidar práticas originadas de um mundo de idéias, capaz de construir crenças e simbologias na vida que deturpam uma essência desconhecida. Não sabemos o que é a essência, e estamos enganados ao acreditarmos numa simetria unificada da existência, partindo do ponto que sempre haverão refutações aos nossos ideais e pensamentos.
Estou cansado das pessoas emitirem idéias e convicções facilmente refutadas. Não me importa a validade desse meu sentimento, mas a sua sinceridade em ver que não haverá nunca uma verdade, se não um desejo egoísta em trancar-se em um mundo de idéias em divergência também ao que se observa, criando conflitos circulares.Não acredito em religião, política, advocacia, muito menos no capital.
Desta minha sincera observação quanto à totalidade confusa e contraditória das pessoas no mundo, consolido a minha liberdade de expressão e apreciação da dúvida, em oposição à minha própria habilidade de ser também integrante do que desprezo. Isso gera ódio, mas também construção. Apenas alguém que acredita em si mesmo, acima de tudo, como apenas um meio de morrer convicto quanto a sua força de vontade diante o formigueiro humano ansioso por verdades nunca existentes. Pois deveríamos passar a cultuar a incerteza, como motivo de respeito e até mesmo de sentido único na vida, pois, assim como na ciência, o processo é mais belo do que uma frustrada vontade pelo fim em equilíbrio.
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fotografia de uma pintura proibida guardada no vaticano
3 08 2010Comentários : 3 Comentários »
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vida e morte sob uma visão intuitiva-racional
2 08 2010Ao observar o universo em seu todo às mínimas partes, pode-se notar as imperfeições que causam desequilíbrios e geram movimento espacial e temporal. Estes desequilíbrios são característicos do processo de busca pela ordem, pelo equilíbrio, ou seja, estabilidade.Por trás de cada movimento que se observa, existe uma busca pelo equilíbrio: as folhas das plantas balançam porque o vento ocorre, e este é fruto do desequilíbrio entre as massas de ar que buscam se ajustar num infinito ciclo na Terra, assim como existe a correnteza do rio, os animais que buscam comida para manter a estabilidade e consequente sobrevivência, o movimento do pulmão ao respirar por conta da diferença de pressão do ar, o cabelo e a roupa que você tem que manter limpo todo dia, o esforço em buscar uma companhia para satisfazer necessidades emocionais, o sexo como uma tentativa em extremo de manter a sua vida através da reprodução… vários movimentos ramificados em um complexo que busca um único fim: o equilíbrio. Entretanto, vivemos num infinito processo de desequilíbrio. Daí vem o prazer, como consequência do alívio, ou seja, do descansar após um desgaste de necessidade, vontade, desequilíbrio. Prazer e dor, por um momento, parecem-me idênticos. Cada um é responsável por si mesmo. Instabilidade não inclui piedade, e estabilidade inclui esforço.
Nossa luta pelo estável, pela sobrevivência, na eterna tensão do desequilíbrio, fruto de nossa matéria formada pela mesma das estrelas ou poeiras cósmicas, leva-me a ter uma intuição de que ao sairmos dela, ao morrermos, estaremos livre dessa “ilusão”, para a mais pura paz e atemporalidade. Nossa energia mental, composta de lapidações e também arranhos, sumirá por definitivo ou irá para algum lugar estranho que jamais chamaríamos de vida.
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Eu diria que a significância da vida em si supera qualquer suicídio, pois a experiência que ela oferece é de uma percepção única e especial da existência. Quando cito vida, por favor não leve apenas a imagem de um humano ao seu imaginário.
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uma breve história da humanidade
10 07 2010

Utilizei a figura de um dinossauro, pois eles não deveriam ter sido extintos e permitido a evolução dos mamíferos.
Há teorias sobre a origem da vida nos primórdios da formação terrestre, que dentro de sopas químicas em turbulentas condições ambientais aconteceu a conversão da química à biologia. Estas diferenciam-se das religiosas porque baseiam-se numa busca lógica e com estudo disciplinado, ao invés de palavras ditas por si só verdade e facilmente refutadas por outras palavras relativas do mesmo campo. Moléculas não-vida foram expostas a transformações orgânicas, permitindo arranjos com o carbono e contato com a água, construção do RNA e DNA, caracterizando-se por estruturas de quiralidades que possibilitaram a obtenção de aminoácidos e reprodução, causando um ciclo de alimentação e processos autocatalíticos que dobraram as suas quantidades. Tal complexo precisou adaptar-se ao ambiente, e, a partir daí, inicou-se o processo de seleção natural, permitindo que as estruturas mais adequadas sobrevivessem melhor às variações do ambiente.
A evolução dessas estruturas moleculares, suas especificações e seus saltos de fenótipos para cada região geográfica, tão bem estudada por Darwin, e as misteriosas consequências casuais das mutações, formam, hoje em dia, uma variedade de formas de vida que são as maiores preciosidades do universo, por serem uma forma de consciência e percepção da existência, ao menos dentro de nossa convenção. Afinal, o que seria da existência, se não a forma de detectá-la? Logo, as vidas acabam sendo por si só a própria existência, pois sem elas haveria apenas névoa imprecisa.
Dentre os diversos tipos de vida, cada qual com sua especificidade e habilidade para manter sua descendência, uma delas, a humana, possui uma habilidade especial que é a capacidade intelectual, permitindo a construção de ferramentas e planejamentos físicos e temporais. Esta mesma é capaz de complexar a mente usando esta mesma habilidade, provocando divergências entre grupos de mesma espécie, e sendo, portanto, tão única também por entrar em conflito com semelhantes. Este complexo mental entrópico frequente acarreta na construção de simbologias de enorme presença na condição de vida dos humanos. A política é um sistema variável durante a história da humanidade, com uma suposta finalidade de organização social, por mais que transpareça mais o desejo de poder inerente a esta espécie, provocando, mais uma vez, possibilidades de conflitos. A religião é uma espécie de instituição derivada do âmago do ser humano, que, ao refletir usando sua habilidade de raciocínio sobre a sua condição de animal, busca pensamentos e crenças que satisfaçam sua necessidade de segurança, criando verdades e gerando desejos de crença mais do que convicção, já que são inúmeras as religiões originadas no mundo espacialmente e temporalmente, condicionando a um grupo de pessoas crerem em algo por conta do acidente geográfico em que sua nascência foi determinada, ou por conta da dominação política-religiosa em que o poder de seu governo conseguiu explorar. A arte também é uma característica muito peculiar da humanidade. Esta é uma síntese da autenticidade que caracteriza a mente humana, revelando desejos que vão além da comida, água ou sexo, porém praticados de forma saudável e educativa, do ponto de vista geral.
Com a habilidade criativa do humano, a utilização de ferramentas e experimentações, permitiu o desenvolvimento cultural, estando aí a habilidade com a agricultura, que foi sendo construída e passada pelas gerações. Isto permitiu a melhor sobrevivência dos grupos, e a possibilidade de satisfazer as necessidades básicas dos indivíduos, acelerando o processo de crescimento vegetativo da espécie. Este crescimento permitiu que o humano pudesse, cada vez mais, desenvolver novas tecnologias e estruturas de acomodação, tornando o sistema de vivência mais complexo e mais próprio de sua espécie, excluindo assim a maioria das outras espécies. Esta proliferação pode ser assemelhada com o vírus, pois a sua quantidade aumenta, e esta mesmo tenta ser suprida através de recursos esgotáveis, o que acaba sendo um ato destrutivo, e que, por fim, também suicida.
O desenvolvimento das cidades, como consequências da característica comum de todas as espécies em agrupar-se aos seus semelhantes biológicos, provoca necessidades burocráticas, a fim de que possa manter a ordem no suposto sistema não selvagem longe da mata. Uma dessas consequências está no consumo, em que o humano necessita do dinheiro (simbologia) para satisfazer suas necessidades, sejam fúteis ou não. O dinheiro é uma condição global no modo de organização dessa espécie. Dentro do consumo, para satisfazer uma cultura primitiva de alimentação, existe a produção de carne, na qual outras espécies são presas, torturadas, mortas, e reproduzidas como meros produtos da satisfação de uma pessoa. Esta pessoa busca sua sobrevivência e o luxo de comer este animal, vendo-o como um produto embalado no mercado, e desacostumando-se ao processo pelo qual esse produto passou, provocando nela um efeito ilusionista em crer na falsa simplicidade do alimento, assim como ela crê no falso valor de papéis com diferentes números impressos. Dentre mais outras explorações anormais dos animais que buscam satisfazer o antropocentrismo suicida dos humanos, isto pode ser exemplificado como uma característica também única da humanidade: a mentira. Nesse caso, tais produtos escondem os seus processos, estimulando um mundo de hipocrisia e pouca reflexão. A hipocrisia, como uma das características dos humanos que os tornam a espécie mais cruel, pode ser encontrada também na política, através da corrupção que engana o povo e gera destruição, e na religião, quando as pessoas buscam ideais que não correspondem aos seus desejos e atos, maqueando e oprimindo uma verdade crua com falsas palavras de esquisita beleza.
Apesar dos pesares, há humanos que buscam meios de construção e aceitação da natureza, permitindo o equilíbrio aliado a novos ideais e novas concepções de mundo. Há quem busque o direito dos animais e o flagra de mentiras, ou quem trabalhe bons valores independente ou não de crenças místicas. A espiritualidade é um termo da humanidade que caracteriza essa educação cultural para com o âmago dos indivíduos, independente de misticismos ou não, aliando a reflexão com a prática. Porém, prevalecerá o raciocínio e a quebra de paradigmas, como recursos usados por pessoas que possuem a sabedoria de reconhecer que há algo de errado nesse mundo artificial em que se vive.
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Rápido pensamento sobre o desequilíbrio
6 07 2010“Na Natureza, as coisas mudam para não mudar. De um modo ou de outro, tudo que ocorre é uma busca pelo equilíbrio: um sistema em equilíbrio, onde atrações e repulsões estão balanceadas, não muda. Mesmo que sofra flutuações locais, mudando um pouquinho aqui e ali, em média permanece o mesmo. (Como a temperatura da água numa banheira, por exemplo, que não é exatamente a mesma em todos os lugares.) Você pode ficar irrequieto quando estiver lendo este livro, mas a menos que decida se levantar, ficará no mesmo lugar, pois o seu ponto de equilíbrio é a sua cadeira. Mais precisamente, um sistema em equilíbrio estável é imune a pequenos distúrbios: quando pertubado, retorna sempre a sua posuição estável. (Com a ajuda da fricção. Caso contrário, continuaria a oscilar em torno da posição de equilíbrio indefinidamente.) Imagine uma bola de gude oscilando no fundo de uma sopeira. Após um tempo, a bola irá parar no fundo da sopeira, seu ponto de equilíbrio.
Já no caso de uma situação que envolve um estado de equilíbrio instável, a coisa é bem diferente: pequenos distúrbios podem causar grandes mudanças. Se a bola de gude estiver no topo de um escorrega, com o menor toque irá rolar para longe. Também é possível induzir mudanças quando forçamos um sistema em equilíbrio a ficar fora de equilíbrio. Por exemplo, se jogarmos um balde de água fria numa banheira quente, a temperatura da água irá cair, até chegar a um novo ponto de equilíbrio. Em ambos os casos, começando em uma situação de equilíbrio instável ou forçando um sistema em equilíbrio a uma situação fora de equilíbrio, é o desequilíbrio que leva a mudanças. Alguns sistemas, como o clima da Terra ou o mercado de capitais, estão sempre fora de equilíbrio: o clima está sempre mudando, e os valores das ações estão sempre mudando, criando e destruindo riqueza. Seres vivos também são sistemas em permanente desequilíbrio. Para continuar a viver, organismos precisam absorver nutrientes e energia do ambiente externo, descartando os seus degradados. Para a vida, equilíbrio é sinônimo de morte.”
Criação IMperfeita - Marcelo Gleiser
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Unificação: uma crítica
9 06 2010“(…)Não é a simetria e a perfeição que deveriam estar nos guiando, como fizeram por milênios. Não precisamos buscar a mente de Deus na Natureza e expressá-la através de equações. A ciência que criamos é apenas isso, nossa criação. Mesmo que maravilhosa, será sempre limitada pelo que podemos conhecer do mundo. E como nunca poderemos conhecer tudo o que existe, nossa ciência será sempre incompleta. Podemos buscar descrições unificadas de fenômenos naturais e, no caminho, até encontrar algumas unificações parciais. Mas não devemos jamais esquecer que uma unificação final está fora de nosso alcance. Como um peixe, que não consegue conceber a totalidade do oceano, não somos capazes de conceber a totalidade da Natureza. A noção de que existe uma estrutura hipermatemática que determina tudo o que existe no cosmo é uma ilusão platônica (e spinoziana) que não tem qualquer relação com a realidade. É uma tentativa de encontrar Deus, mesmo que metaforicamente, através da lente da ciência.
Mesmo que através da nossa inventividade, tenhamos aprendido tanto sobre o mundo, nossa descrição da realidade será sempre uma obra inacabada. Querer aprender sempre mais reflete a nossa curiosidade. Acreditar poder saber tudo reflete apenas uma ilusão”
Criação IMperfeita – Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza
Marcelo Gleiser
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Estive pensando sobre o valor da dúvida para nossas vidas em particular, e para o caminho da humanidade. Duvidar é uma prática de questionamento que permite a flexibilidade diante as situações, e busca a experimentação da amplitude oferecida pela vida. Aqueles que dizem possuir a “verdade”, na verdade estão limitando-se, através da ilusão de uma falsa convicção que não se adequa no todo, pois a relatividade ideológica põe em prova a imprecisão das “verdades”, tornando assim a dúvida o objeto de maior valor que temos, permitindo nossa sabedoria e evolução. A dúvida pode ser comparada à qualidade subatômica, com sua imprecisão das propriedades, e, portanto, sendo assim característica da nossa matéria mais prima. Abençoados são aqueles que questionam, incomodam e gritam, e tristes são aqueles que paralisam um ponto evolutivo humano para todo o resto da história.
Entretanto, vale a pena divagar um pouco sobre o conceito de “verdade”. Não seria a verdade inexistente para o campo do racional, porém válida para a propriedade emotiva? Não seriam as emoções uma espécie de dimensão concretizada no nosso biológico como meio quântico de apropriação da verdade? Bem, estou questionando e isso é importante. O ato de amar, ou os próprios prazeres carnais possam ser meios de obtenção dessa “verdade” tão misteriosa.
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discurso breve sobre a simetria
11 05 2010“Através dos tempos, pessoas com deformidades físicas pronunciadas e animais com anomalias monstruosas eram considerados mensageiros do mal, muitas vezes torturados e aprisionados, exibidos nas cortes e nas feiras públicas como atrações, como desastres da Natureza, criaturas com um pé no mundo e outro no inferno. Na Idade Média, o nascimento de um bezerro com duas cabeças ou de gêmeos siameses, por exemplo, eram vistos como mau agouro. Se o evento ocorresse perto do fim do século era pior ainda, um sinal do apocalipse, do fim dos tempos conforme previsto nas Revelações de João, o último livro do Novo Testamento.
(…)
Desde muito cedo na história da humanidade, ordem foi equacionada com segurança e simetria como o previsível e o confiável. Um caçador numa floresta precisa estar atento aos padrões espaciais a sua volta. Sua sobrevivência depende disso. Uma distorção dos padrões poderia significar a presença de um animal predador ou de um membro de uma tribo inimiga. Já o movimento periódico dos objetos celestes – do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas – ou o retorno das estações do ano, são fenômenos que ocorrem regularmente no tempo. As exceções a essa regularidade, como a aparição de um cometa, a ocorrência de um eclipse total do Sol, a queda de um meteorito e outras interrupções dos ciclos regulares dos céus, eram temidas por todos, interpretadas como mensagens negativas dos deuses, prestes a punir os mortais com grandes calamidades.
(…)
A assimetria incomoda. Ela expõe medos profundos, alguns esquecidos há muito, suas raízes estendendo-se às origens da fé monoteísta. Um mundo assimétrico não pode ser obra de um Deus perfeito. O que Platão e Kepler diriam de um mundo que não reflete em sua estrutura as simetrias perfeitas da geometria? Que Deus geômetra seria esse? Se o mundo é assimétrico, Deus não pode estar presente. E se Deus não existe, estamos sós, sem uma força superior para nos ajudar a enfrentar nossos problemas, a lidar com nossos predadores e inimigos, como nossas escolhas e nossa dor. Um mundo assimétrico é atemorizante pois nos força a ser responsáveis pelos nossos atos.”
Criação IMperfeita – Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza
Marcelo Gleiser
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Atenção. Uma nota sobre o post anterior:
De acordo com o meu raciocínio, qual a forma geométrica de maior entropia na imagem? Triângulo ou heptágono? Se analisarmos a orientação espacial, ao rotacionar o triângulo é necessário fazer um ângulo maior que o heptágono para que ele tome a forma original de volta. (lembrar que estamos falando de equiláteros)
Isso me faz pensar também que o círculo, não só pode ser considerado como uma forma de um só lado, mas também de um equilátero com infinitos lados. A lógica permite visualizar isso.
Ainda estou pensando sobre isso. Então as formas geométricas independem um pouco da analogia com as partículas.
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Devaneios sobre a entropia da geometria, do psicológico e da história humana
10 05 2010A entropia, como medida de desordem de um sistema, aumenta a partir do momento em que se insere mais elementos dentro de determinada configuração. Quanto maior a quantidade de partículas em determinado espaço, maiores serão os arranjos possíveis entre eles, e, portanto, aumentando a desordem, pois foge do controle de algum modo e entra cada vez mais num complexo probabilístico e menos previsível.
A primeira figura possui 6 exemplos de figuras geométricas bidimensionais (por facilitação de entendimento). A primeira figura é o círculo, considerado a forma mais simples e de mais rápida captação do nosso cérebro por conta disso. A partir dele, as figuras vão se tornando mais complexas, ganhando lados e perdendo a simetria do círculo. Tal simetria pode ser observada, por exemplo, ao modificarmos a posição da figura, que, no caso do círculo, qualquer alteração em sua orientação espacial não fará diferença visual, diferentemente do quadrado e etc. A partir desse significado, podemos associar a complexidade geométrica à entropia da figura. Portanto, a figura com menor entropia (menor desordem) seria o círculo, e a partir do triângulo a entropia é maior.
Se associarmos a mesma a partículas, obteremos um esquema semelhante ao da segunda ou terceira imagem. A segunda imagem representa o círculo, com apenas um lado, e, portanto, com apenas uma partícula, demonstrando nenhuma variedade de configuração, já que está sozinha e não possui referenciais para caracterizar a desordem. A terceira imagem possui a representação de um sistema com 7 partículas (heptágono), e como exemplificação mostra-se dois exemplos de configurações das partículas dentro das infinitas possibilidades de reorganização no espaço, variedades de concentração e entre outras propriedades… ou seja, uma entropia maior.
O psicológico humano funciona do mesmo modo. Por se tratar de algo imaterial como a mente humana, não é palpável o suficiente para se tornar tão claro quanto a visualização das figuras geométricas. Mas se compararmos a entropia (não esqueça: entropia=medida de desordem) dos pensamentos de um ser humano ao das figuras geométricas e partículas, podemos analisar que quanto mais complexo é o sistema mental de um indivíduo mais em desordem ele tende a entrar. Se uma mente começa a ter diversos pensamentos fluindo em sua mente, é bem provável que sua ansiedade aumente e o próprio sistema desordenado fluam por conta própria, ganhando vida e tomando conta do indivíduo. Ao analisarmos esta tendência entrópica no ser humano que tem paixão pela filosofia e busca da “verdade” durante toda a sua história, damo-nos conta do quão concreto são os pensamentos. Todas as guerras, conflitos e degradações ambientais originados por diferenciais de ideologia, política, religião ou outra coisa derivam exatamente dessa desordem na mente dos humanos, que, quando aplicadas com paciência na seta do tempo, tornam-se atos melhores visíveis e de grande impacto. A entropia é mais do que física. Entretanto, na situação que o mundo se tornou atualmente, é necessário haver uma nova aplicação de ordem física e limpeza mental, exigindo atitudes nossas, assim como o gelo, que antes era uma água quente, por estar em baixa temperatura e com moléculas em menor agitação e, portanto, em menor desordem, chegam a esse estágio em uma país tropical apenas com o uso de uma tecnologia construída por uma mente autônoma e capaz de manipular o sistema de desordem.
Algumas vezes no dia, pare para simplificar sua mente para a forma de um círculo e elimine pensamentos desnecessários, pois isso tornará sua vida mais tranquila e seus atos e desejos mais práticos e positivos.
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O gato preto
29 04 2010Edgar Allan Poe
O gato preto (1839)
Certa noite, voltando para casa das minhas perambulações pela cidade, bêbado de cair, tive a sensação de que o gato evitava a minha presença. Agarrei-o e então, assustado com a minha violência, o animal produziu na minha mão, com os dentes, um leve ferimento. Em um segundo, fui invadido por uma fúria demoníaca. Já não me reconhecia. Era como se minha alma original tivesse sido arrancada de repente do corpo e uma maldade pior que infernal, alimentada pelo gim, permeasse cada fibra do meu ser. Tirei do bolso um canivete, abri, agarrei o bicho pelo pescoço e, deliberadamente, fiz seu olho saltar da órbita. (…)
Com o passar do tempo, contudo, o gato sarou. É certo que a órbita vazia tinha um aspecto pavoroso, mas o animal não parecia sofrer mais nenhuma dor. Girava pela casa como sempre, porém, como era de se esperar, fugia apavorado assim que me via. Ainda me sobrava muito do antigo coração para que me sentisse, de início, pesaroso com aquela repulsa evidente por parte de uma criatura que tanto me amara. Logo, porém, tal sentimento foi substituído por uma viva irritação. E por fim, apossou-se de mim, para mergulhar-me de modo definitivo e irrevogável, no espírito da PERVERSIDADE. Desse espírito, a filosofia não trata. No entanto, estou certo de que minha alma vive, de que a perversidade é um dos impulsos mais primitivos do coração humano, uma das faculdades ou sentimentos primários não analisáveis que dirigem o caráter do Homem.
(…) Era este insondável anélito da alma de torturar-se a si mesma, de violentar a sua própria natureza, de fazer o mal tão somente por amor do mal, que me instigava a continuar e, por fim, a consumar a violência perpetrada contra o inocente animal. Uma manhã, a sangue frio, passei-lhe um laço pelo pescoço e enforquei-o no galho de uma árvore; enforquei-o com lágrimas a me brotar dos olhos e com o mais amargo remorso no coração; enforquei-o porque sabia que me tinha amado e porque sentia que nunca tinha me dado nenhum motivo de ofensa; enforquei-o porque sabia que fazendo isso cometia um pecado.
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Ricardo III
5 04 2010William Shakespare
Ricardo III, I, 1 (1597)
Mas eu, que não fui moldado para jogos ou brincos amorosos, nem feito para cortejar um espelho enamorado; eu que rudemente sou o marcado, e que não tenho a majestade do amor para pavonear-me diante de uma musa furtiva e viciosa; eu, que privado sou da harmoniosa perfeição, erro de formação, obra da natureza enganadora, disforme, inacabado, lançado antes do tempo para este mundo que respira, quando muito meio feito, e de tal modo imperfeito e tão fora de estação que os cães ladram quando passo, coxeando, perto deles. Pois eu, neste mole e ocioso tempo de paz, não tenho para passar o tempo outro deleite senão contemplar minha sombra ao sol e cantar minha própria deformidade. E assim, já que não posso ser amante e gozar estes dias de práticas suaves, estou decidido a ser um vilão feroz e odiar os prazeres destes dias.
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não há feiura + minha profecia
10 03 2010Cozinha-se o pão: aqui e ali esse pão racha. Pois bem, essas rachaduras se formam de um modo que não tem nada a ver com a arte do padeiro mas, em certo sentido, ficam muito bem e, sobretudo, estimulam intensamente o desejo pelo alimento. Da mesma forma, também os figos se partem quando estão bem maduros. Observemos, aliás, as azeitonas que chegaram à maturidade completa: é justamente aquele aspecto tão próximo da corrupção que dá ao fruto uma beleza particular. De resto, as espigas quando se inclinam para a terra; (…) a baba que escorre da boca dos javalis e ainda um sem-número de exemplos, quando considerados em si mesmos, são distantes da beleza, porém, pelo fato mesmo de acompanharem uma ordem da natureza, acrescentam-lhe ornamento e deleite. Portanto, se uma pessoa dispõe de compreensão e simpatia pelos fenômenos da natureza, podeverá ver que qualquer coisa, ainda que seja consequência acidental de outros eventos, é boa, mesmo que se cumpra segundo um ritmo de graça que lhe é próprio.
retirado do livro “História da Feiúra”
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ATENÇÃO!
eis que minha profecia está sendo realizada aos poucos:

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Begotten
4 11 2009Deixo avisado que esse filme pode ser pertubador para você
Clique aqui para ler sobre o filme.
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